quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Reflexões sobre "O Estranho"

Mapa de Leitura:
Texto “O Estranho” (FREUD, 1919)
Mariana
I. O tema do ‘estranho’
- Mantém relação com o que é, de alguma forma, assustador;
- Jentsch (1906) e o seu estudo do ‘estranho’: relação entre o ‘estranho’ e o que é desconhecido;
- O ‘estranho’ não é o que desconhecemos, mas trata-se daquilo que é (ou foi, em algum tempo) familiar → heimisch = unheimlich: “Dessa forma, heimlich é uma palavra cujo significado se desenvolve na direção da ambivalência, até que finalmente coincide com o seu oposto, unheimlich. Unheimlich é, de um modo ou de outro, uma subespécie de heimlich.” (p.283)
II. Sobre a “criação de efeitos estranhos”
- “O Homem da Areia” → medo de ter os olhos roubados: “Sabemos, no entanto, pela experiência psicanalítica, que o medo de ferir ou perder os olhos é um dos mais terríveis temores das crianças. Muitos adultos conservam uma apreensão nesse aspecto, e nenhum outro dano físico é mais temido por esses adultos do que um ferimento nos olhos. Estamos acostumados, também, a dizer que estimamos uma coisa como a menina dos olhos. O estudo dos sonhos, das fantasias e dos mitos ensinou-nos que a ansiedade em relação aos próprios olhos, o medo de ficar cego, é muitas vezes um substituto do temor de ser castrado.” (p.289);
- Temas de Estranheza ↔ Fenômeno duplo (p.292-293);- “Originalmente, o ‘duplo’ era uma segurança contra a destruição do ego, uma ‘enérgica negação do poder da morte’, como afirma Rank; e, provavelmente, a alma ‘imortal’ foi o primeiro ‘duplo’ do corpo” (p.293);- “Quando tudo está dito e feito, a qualidade de estranheza só pode advir do fato de o ‘duplo’ ser uma criação que data de um estágio mental muito primitivo, há muito superado – incidentalmente, um estádio em que o ‘duplo’ tinha um aspecto mais amistoso. O ‘duplo’ converteu-se em objeto de terror, tal como, após o colapso da religião, os deuses se transformam em demônios” (p.295);
- Repetição involuntária; atmosfera estranha; algo fatídico e inescapável; sorte (p.296);- Compulsão à repetição (p.297-298);- Medo do mal-olhado; pressentimento; onipotência de pensamentos (p.299);- “Neste ponto vou expor duas considerações que, penso eu, contêm a essência deste breve estudo. Em primeiro lugar, se a teoria psicanalítica está certa ao sustentar que todo afeto pertence a um impulso emocional, qualquer que seja a sua espécie, transforma-se, se reprimido, em ansiedade, então, entre os exemplos de coisas assustadoras, deve haver uma categoria em que o elemento que amedronta pode mostrar-se ser algo reprimido que retorna. Essa categoria de coisas assustadoras constituiria então o estranho; e deve ser indiferente a questão de saber se o que é estranho era, em si, originalmente assustador ou se trazia algum outro afeto. Em segundo lugar, se é essa, na verdade, a natureza secreta do estranho, pode-se compreender por que o uso lingüístico estendeu das Heimlich para o seu oposto, das Unheimlich; pois esse estranho não é nada novo ou alheio, porém algo que é familiar e há muito estabelecido na mente, e que somente se alienou desta através do processo da repressão.” (p.300-301);- Relação com a Morte: conservadorismo (p.301-302);
III. ‘Contos de Fada’ e o ‘Real’
- Contos de Fada e Escritor Criativo (poeta) // Escritor que move-se no mundo real (p.310-311);
- O que se faz com a linguagem: para “entender” o real, para “representá-lo”, para “desfigurá-lo”.

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