quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ata de Encontro

Registro da reunião do Grupo Panóptico (30-10-2008)
Discussão sobre o texto O ‘Estranho’, de Sigmund Freud (1925)

Matheus da Cruz e Zica

Inicialmente alguns detalhes sobre o blog do grupo foram debatidas. E ficou decidido que Márcio será o responsável por ‘alimentar’ a página e que, portanto, todo o conteúdo produzido deve ser enviado ao e-mail do próprio Márcio para que ele disponibilize.
Mariana fez então uma breve apresentação do resumo que fez do já referido texto ressaltando alguns dos pontos que considerou mais importantes. Logo em seguida, o grupo passou a discutir sobre assuntos pontuais como o tema da falta: Chamou-se atenção para o fato de haver uma Ambivalência Topológica que deve ser levada em conta em sua abordagem. Não se pode interpretá-la afetivamente, pois o lugar do pai desalojado deixa um buraco em todos nós, buraco que nos constitui e que não evoca apenas saudade. É nostálgico.
Em seguida discutiu-se sobre as aproximações e os afastamentos existentes entre os significados de Fobia e de Estranheza. Concluiu-se que aquela é diferente desta na medida em que há uma projeção de um trauma em outro, diferentemente do caso da estranheza que conta com o paradoxo do indivíduo que tem familiaridade com o que estranha. Neste caso não há projeção em outro.Esta discussão suscitou outra a respeito do que seria um Evento Traumático. Neste tipo de fenômeno o protagonista do trauma não tem elementos para explicar ou dar conta do que ocorreu ocasionando, assim, o que chamamos de recalque. Este Evento é a principal fonte da Compulsão à Repetição. Este recalque irá voltar, através de sintomas compulsivos, até conseguir se inscrever na ordem do desejo.
Fez-se, a partir daí, uma diferenciação entre a idéia e o afeto no recalque: a idéia seria descartada, no entanto o mesmo não se daria com o afeto que este sim ficaria à deriva até poder se inscrever na ordem do desejo. Ressaltamos que o Pai Primevo é o recalque maior para o qual todos nós, homens e mulheres, pagamos tributo. É por isto ambos são castrados. Mas acontece que, por conta da ordem fálica que ainda vigora, pela associação arbitrária ainda existente em nossa sociedade entre falo e poder, os homens tendem a acreditar mais que não são tão faltosos ou castrados como as mulheres.
Iniciou-se então uma discussão sobre a diferenciação entre o que seria Falo imaginário e Falo simbólico. Ressaltou-se que o sexo não estaria nos corpos, mas sim num terceiro. O sexo seria apenas um operador mental. A seguir questionou-se a respeito das diferenças entre Pré-prazer, Gozo e Desejo. Os dois primeiros se difeririam do Desejo na medida em que não se inscreveriam desejo. O Gozo não leva em conta as possibilidades oferecidas pelo mundo externo.Daí surgiram as perguntas: Seria a inscrição do desejo apenas uma ilusão? Há como fugir da Cultura?A esta altura, voltamos a uma outra questão levantada anteriormente: Trazer o trauma que estava recalcado ao nível da consciência basta para curar? Com os esclarecimentos do professor Marcelo, acordamos que isto não basta. É necessário além de relembrar e trazer à consciência, também reelaborar e se libertar da repetição através da inscrição do desejo no real.
A operação metodológica por excelência da psicanálise é gerar desconfiança. É esta posição de questionamento que pode desestabilizar a compulsão à repetição. Estimula-se uma posição de vigilância em relação ao que é velho tentando se camuflar de novo... (relembramos Hana Arendt). O instrumental da Psicanálise dá possibilidade para se renovar sempre, para se entranhar o que é familiar. Mas como lembrou Márcio, não podemos achar que por termos o conhecimento deste instrumental estaremos livres da nossa condição de iludidos também.
Após esta última discussão nos encaminhamos para o término da reunião. Decidimos finalmente que: 1- O próximo texto será “Uma criança é espancada”; 2- que os membros devem utilizar as reuniões do grupo para trocarem materiais interessantes como filmes, livros, músicas, etc.; e 3- foram indicados dois filmes: “A última tentação de Cristo” e “Perfume”.

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