quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Reflexões sobre Totem e Tabu (cap. III e IV)

Totem e Tabu
Considerações por Gláucia

A hierarquia verticalizada atribuída ao referencial totêmico, apresenta-se a nós, na contemporaneidade, fora de lugar. O que vemos hoje é um enfraquecimento das instituições que nos referenciavam. O sujeito, na contemporaneidade, busca em si próprio os referenciais para se organizar no mundo, uma vez que não encontra, na sociedade, as bases para uma uma organização subjetiva satisfatória. Mas, o que nos parece, é que nossa sociedade não está em crise, o que está em crise são os nossos paradigmas.Com o enfraquecimento das instituições, temos um sujeito sem referencial, sozinho, impulsionado pelo desejo, que busca em si um controle interno e um saber subjetivo. A partir disso, é importante nos interrogarmos: Como a psicanálise pode contribuir na educação, diante das questões apresentadas pela modernidade?

Ata de Encontro

Dia 11/09/2008 - das 16h às 18hSala 401 da Pós-Graduação, FaE/UFMG

Resumo:

A coordenação do encontro ficou por conta de Marcelo Ricardo Pereira e o registro por responsabilidade de Márcio Boaventura Jr.Em um primeiro momento foi solicitada uma apresentação dos membros presentes.

Em seguida, o coordenador apresentou o histórico do Grupo Panóptico, bem como sua finalidade e objetivada neste novo ciclo, qual seja, estudar a obra Freudiana relativa ao vínculo social, bem como as contribuições lacanianas à mesma. A duração média deste ciclo deverá ser de 1 a 2 anos.O início dos estudos deu-se com a leitura de um fragmento do texto “Um estudo autobiográfico: pós-escrito” (1935) de Sigmund Freud.

Nele Freud salienta que a origem de suas reflexões são relativas ao vínculo social. Desta forma o Grupo Panóptico justifica sua premissa em estudar a psicanálise do vínculo social.

Tópicos abordados:- Não era verdade material, mas histórica.- A verdade é sempre uma deformação de uma idéia. É uma deformação e uma ilusão.- Qualquer “verdade” é psíquica, por isso ilusória. A “verdade” é lingüística, discursiva.- isso rompe com o paradigma da sociedade na qual Freud vivia.Em seguida passou-se ao estudo da Obra “Totem e Tabu” (1913), prefácios e capítulos I e II.

Tópicos abordados:
- Como o homem se insere no mundo/cultura? Sempre na forma de um enigma (sexualidade, desejo e linguagem).
- Conseqüentemente algo nosso não se inscreve, sobra. O que leva o sujeito da psicanálise a sempre estar procurando outras possibilidades de se inscrever.
- Sexualidade para Freud se vincula a ordem do prazer obtido a partir do corpo do outro.- Sensação pulsional de satisfação (chamado de gozo, por Lacan).
- Conflito Exogamia / endogamia.
- Necessidade de uma Instância interditora para impedir a satisfação da pulsão e a construção do vínculo social. Vida em relações estabilizadas e simbólicas.
- Corpo social = instauração de um sistema de repressão coletiva.
- Sistema de parentesco / tentação incestuosa x proibição do incesto / Complexo nuclear das neuroses.- Totem é um símbolo. Tabu é nosso imperativo categórico. Não podemos nos rebelar contra o simbólico, que por si só, é um mistério para o grupo.
- Esse mistério é sacralizado dando origem á um imperativo categórico.
- Não temos uma natureza humana, o que está na origem é um mistério, pois se constitui no ato e não na linguagem.
- O Totem é em si a própria linguagem; é um discurso produzido por uma cultura.
- O Édipo é uma reedição da entrada do homem na cultura / herança filogenética.
- O parricídio não foi um movimento fraterno.Dado o avançar das horas, o debate foi finalizado com o estabelecimento de algumas combinações para as próximas reuniões.

Ficou decidido que o próximo encontro se dará no dia 25/09/2008, no mesmo local e horário. O redator do encontro será Mateus. Márcio e Gláucia produziram reflexões em forma de texto para aquecer o próximo debate relativo aos capítulos III e Iv de Totem e Tabu (1913).
Sem mais a registrar. Encontro encerrado.